outubro 25, 2005

Cartas de chuvas

...

Lisboa, 2005


Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha,
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada

alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler

alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-Io passar na direcção dos rios

alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar


António José Forte
...

6 comentários:

soniaq disse...

Belo, belo e belo!!!
Que bom ler assim coisas tão bonitas.
beijoca

M disse...

E assim se terá sempre Paris ou outro planeta, ou outro entendimento, ou outro encontro mais definitivo ou só intuitivo!
E assim ... a comunicação.

M disse...

Tem mal?
Tem mal gostar muito deste espaço, reconhecimento em tempo real.
As melhoras e as aranhas as aranhas são f ...

M disse...

Já não leva o prémio ... João césar Monteiro não é a resposta certa. Mas agradecemos a sua participação!

Xano disse...

E ouvir Vitorino cantá-las? Muito bom.

A.na disse...

"Longos raios de frio correm sobre o mar...e eu toco a solidão como uma pedra"